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Língua, instrumento de resistênciaFelipe Lobo (12/05/2008) Fim do século XIX e a África é partilhada entre as potências européias. As fronteiras foram artificialmente construídas e como instrumento de dominação, os europeus acirraram as disputas locais e étnicas. Usaram violência para impor seus interesses e a língua como instrumento de dominação cultural. A língua é sem dúvida uma forma de dominação cultural. As línguas nativas africanas foram proibidas nas escolas e nos ambientes públicos, obrigando os nativos a aprenderem a língua do colonizador. O impacto dessa dominação de grandes potências sobre a África é tão grande que os países africanos ainda sofrem suas conseqüências. A dependêcia econômica é enorme, quando não total. As línguas oficiais dos países africanos são, em sua grande maioria, européias, principalmente o francês e o inglês. Em alguns países, a língua nativa está entre as línguas oficiais do país. Mas no Barundi, pequeno país da África Central, o kirundi é a língua oficial. Com mais de 4,6 milhões de falantes, a língua também é falada em regiões da Tanzânia, República Democrática do Congo e Uganda. O Burundi, país onde ela é a língua oficial, tem 6 milhões de habitantes - sua grande maioria fala a língua banta kirundi. Colocar a língua nativa como oficial é mais do que uma constatação de que a maioria fala esse idioma. Em muitos países africanos, os habitantes falam as línguas nativas, mas as línguas oficiais são as européias. Colocá-la como oficial tem um caráter de resistência, uma sensação de nacionalismo. Em um país que vive em guerra civil há décadas, essa foi uma atitude para resgatar o sentido de nação, que está constantemente ameaçado pelas armas. Com todos os problemas políticos, o kirundi resiste. Mesmo nas guerras entre as etnias hutu e tutsi, a língua é uma só. Não há sensação de pertencerem ao mesmo país, mas a língua do ódio entre eles é a mesma. Uma questão para se pensar. A língua é resistência. Mas só frente aos colonizadores. Tags: geografia África Burundi língua kurundi Remixagens dessa narrativa
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