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Dom João VI, fundador do Brasil


Felipe Lobo (02/02/2008) Texto Imagem

O ano era 1807. Portugal estava em situação difícil: desrespeitava o bloqueio continental que Napoleão impôs aos países europeus e era ameaçado pelos franceses de invasão. Por outro lado, não podia parar de fazer comércio com a Inglaterra, sua única aliada e de quem dependia economicamente.

Diante da situação, a corte portuguesa colocou em prática uma idéia que já tinha sido cogitada antes: mudar-se para o Brasil. A viagem foi feita às pressas, quando os frances já estavam próximos da fronteira e a situação estava insustentável.

Dom João Vi e sua comitiva partiram para o Brasil em novembro daquele ano. Chegariam ao Brasil em 1808. Já são duzentos anos desde então, e a imagem do monarca ficou marcada pelo filme Carlota Joaquina e pela sério Quinto dos Infernos: um homem gordo, bonachão, comilão e banana.

Recentes pesquisas de historiadores mostram que a idéia que popularmente se faz de Dom João não é a mais correta. Uma matéria na revista Época de 28/01/2008 destaca exatamente isto. Lúcia Bastos, professora da Universidade do Rio de Janeiro, declarou à revista que a história de um rei comedor de coxas de frango, como retratado no filme, não pode ser comprovada. Mais do que isso, o historiador José Murilo de Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Jeneiro, diz que a vinda de Dom João VI tornou possível a existência do Brasil.

Assim que chegou à Salvador, Dom João declarou os portos abertos às nações amigas. Na prática, foi o fim do pacto colonial. A princípio, a medida beneficiou apenas os ingleses. Porém, outros países viriam a fazer comércio com o Brasil mais tarde.

A liberação da criação de indústrias foi outra medida adotada pelo príncipe regente. Embora não tenha incentivado a criação de industrias, foi o primeiro passo para quebrar a dependência imposta pela metrópole à colônia - vínculo que nunca mais seria reestabelecido.

Foi Dom João VI que criou o Banco do Brasil, em 1808. Embora o banco tenha falido quando o monarca voltou à Portugal, foi uma medida fundamental para criar um sistema financeiro no país.

A maior contribuição de Dom João, porém, foi a criação do país como conhecemos hoje. Até então, as provincías viviam absolutamente separadas, e não havia a idéia de um país. Isto porque Dom João criou um aparelho de Estado, inexistente até então para os governadores gerais. Com órgãos executivo, legislativo e judiciário, o governo montou a estrutura de um país. Sem essa medida, provavelmente o governo central não teria conseguido impedir a fragmentação do país em diversos pequenos Estados, como aconteceu na américa espanhola.

Dom João VI foi um estadista, um governador forte e que enfrentou problemas enormes. Para o Brasil, principalmente, a importância deste personagem é enorme. A quebra dos vínculos com Portugal e a criação da estrutura fez da colônia um país que nunca mais voltaria a se submenter à metrópole.

O príncipe regente comendava um governo totalmente aristocrático, e talvez tenha sido o "pai" desse tipo de governo no Brasil - que "imepraria" por toda a nossa história. Mas a sua importância precisa ser evidenciada, pois sem ele, o Brasil provavelmente não existiria.

(Foto: www.monarquia.org.br)




Tags: história Brasil cultura

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