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Narrativas Recentes |
O buraco é mais embaixoFelipe Lobo (02/03/2008) Uma das grandes discussões que acontecem sobre games no Brasil é a questão da pirataria. Mais de uma vez empresas reclamaram que o problema no país é um entrave à entrada dos seus produtos. Porém, há um grande problema. Vivemos em um país onde os jogos são vendidos, em sua maioria, a R$ 100 e o salário mínimo foi recém aumentado para R$ 415. Isso se contarmos os jogos para computador. No caso de jogos para Playstation 2, um dos mais populares videogames no mundo, o preço de lançamentos chega a quase R$ 200. O problema não é só o preço. Há, sim, a questão da cultura da malandragem. Essa precisa ser bastante combatida. Mas é preciso ações práticas também no campo comercial. Os jogos precisam tornar-se mais acessíveis para que a pirataria passe a não compensar. É o mesmo problema que enfrentam as gravadoras e produtoras, que enfrentam DVDs vendidos em barraquinhas em diversos pontos das cidades. Um exemplo claro que falta iniciativa para os produtores de jogos é "produto" da foto. O jogo original era o Pro Evolution Soccer, versão norte americana do consagrado Winning Eleven. Um grupo que se intitula "Brazucas" começou a personalizar o jogo, colocando os times brasileiros no jogo, seus uniformes oficiais e jogadores. Criaram ainda narrações e comentários em português. O que fazem com o jogo modificado? Copiam e vendem. É possível encontrar o jogo em vários pontos de São Paulo, exposto em barraquinhas de camelôs ou mesmo em pequenas "lojas". O preço? Varia de R$ 10 a R$ 15. E segundo alguns vendedores com quem conversei, é um dos jogos mais procurados. Constantemente, é preciso pedir novas "remessas". A pergunta que fica é: por que ninguém pensou nisso antes? Por que uma produtora de jogos não pesquisa o mercado brasileiro e cria uma equipe que faça o trabalho que, ilegalmente, fazem esses rapazes? A idéia não é nova. Há quem faça isso oficialmente. O jogo Football Manager é um sucesso na Europa e também no Brasil. O jogo simula as atividades de um técnico e administrador de clube de futebol - o chamado "manager". O jogo contém ligas de diversas partes do mundo. Manter o jogo completamente atualizado em cada lançamento é impossível. Mas a SI Games, produtora do jogo, criou uma solução simples: permite que o próprio usuário atualize o jogo. Como? O jogo vem com um editor oficial, onde é possível mudar quase todos os dados que ele contém. Essa medida criou comunidades e mais comunidades de fãs do jogo, que se organizam em equipes que atualizam o jogo constantemente. Uma forma de auto-regulação muito característica da web, que muitas empresas ainda não perceberam (vide indústria musical, cinema e até os próprios jogos). Uma outra medida adotada pela empresa é a venda pela Internet. O jogador pode fazer o download do jogo, testá-lo e, se gostar, pode comprar pelo site. Neste caso, a vantagem é apenas a comodidade - os preços continuam sendo altos, já que são cobrados em euros ou dólares. São caminhos a serem seguidos. É preciso combater a pirataria com veemência, como os governos brasileiros já têm tentado fazer. Porém, é preciso também uma discussão sobre as suas causas, para combater as origens, não só suas conseqüências. A adequação dos jogos ao público brasileiro é um caminho; a possibilidade de auto-regulação, como no caso do Football Manager, é outro caso a ser estudado. Mas é preciso também rever os impostos e os preços cobrados pelos jogos. Se não, grupos como os "Brazucas" continuarão existindo extra-oficialmente. Tags: cultura games jogos Internet Remixagens dessa narrativa
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