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Argentina (e Itália) é aqui


Felipe Lobo (28/01/2008) Texto

Terça-feira, Julho 13, 2004

Sabe quando acontecem aquelas coisas que você lembrará sempre? Foi o que aconteceu naquela quarta-feira, dia 30 de junho. Depois de flertar pela internet com uma "européia" (como ela mesmo se chamou), fomos nos encontrar em um lugar totalmente conhecido meu, embora nunca tenha ido: uma cafeteria bem em frente à PUC. Um local calmo, em meio ao agito dos bares à sua volta - ideal para um encontro.

A expectativa era bastante grande. Um menina que tinha muitas qualidades, e que se mostrava belíssima, em diversos sentidos. Embora estivesse bastante confiante, o "frio na barriga" esteve comigo.

10:30 Hora marcada. Ainda estava no ônibus, e descia no ponto que me levaria à PUC naquele momento. A adrenalina subiu, mas menos do que em vezes anteriores. Talvez justamente por isso: houveram tantas vezes anteriores que já não sentia mais o nervosismo, tradicional em encontros, ainda mais desse tipo. Acostumado também aos "berros" (forma mineira de chamar os fracassos amorosos), eu já nem me preocupava com a possibilidade de isso acontecer de novo. Surpresa seria se desse certo, e não o contrário. Ansiedade alta, porém expectativa baixa.

Caminhava rumo à cafeteria, bem à frente da PUC, na Rua Ministro Godoy. Quanto mais eu me aproximava do local combinado, mais devagar andava. Essa ansiedade que antecede encontros como esse é muito gostosa, e aprendi a aproveitar esses momentos - e não vivê-los com a angústia que muitos o fazem. Na porta da PUC, no alto da suas escadas, olhei na direção onde fica o Café. Meus olhos procuravam aquela menina com uma expressão sempre séria e linda.

De repente, meus olhos encontram uma menina como a da foto: cabelo comprido, ondulado e castanho claro; um rosto doce, feições delicadas, séria e às vezes soando como brava; aquele olhar tão misterioso quanto encantador... tudo isso falando em um telefone celular, sentada no canto do Café.

Desci. Apriximei-me aos poucos, e devagar. Cheguei, subi a pequena escadaria, e fixei o olhar nela. Falando ao telefone, ela sentiu minha presença. Quando ela desligou, me aproximei, e comprimentei-a, admirado. Ela era linda mesmo. Um pouco diferente do que eu pensava. Para melhor. Os olhso eram verdes como água, claros como a luz do dia. Seu olhar era misterioso como na foto.

Conversamos por algum tempo. Nem sei quanto - a conversa estava tão boa, que nem me dei ao luxo de deixar perceber. Ela olhou para o relógio. Isso seria um mal sinal em um encontro, mas ela prontamente disse: "Desculpe olhar assim no relógio, mas vou ter que ir embora cedo, e a hora passa tão depressa...". Aquilo me foi suficiente. O seu olhar me dizia que estava gostando de estar ali.

Disse a ela o quanto estava encantado. Disse que ela estava tão linda que eu estava impressionado. Seu olhar era encantador, mas não tinha notado ainda a beleza dos seus olhos. Pudera: nas fotos, os olhos dela ficavam escurecidos, de forma que não é possível perceber o quanto são claros.

A vontade de beijá-la estava me consumindo. A conversa com ela era tão gostosa e divertida, que o tempo parecia o nosso maior adversário. Sentia nela tudo que eu estava sentindo, inclusive nas palavras. Era algo inédito: sentir o mesmo que a outra pessoa, tanto nas palavras quanto nos olhares. Senti aquele momento. Respirava cada momento como se aproveitando todas as gotas de um copo de Coca-Cola deliciosamente gelado em um dia de calor.

Foi inevitável (e queríamos que fosse assim). Nossos corpos estavam próximos, nossos olhares entrelaçados, nossas mentes unidas, nosso sentimento um só. Os nossos lábios se aproximaram com tal força que ninguém seria capaz de nos separar. O sorriso no rosto lindo dela me deliciava, e devolvia para ela todo o carinho que recebia. Nossos lábios se tocaram devagar, como se estivessem cuidadosamente explorando um território completamente novo. O prazer do beijo era igual à nossa surpresa: quanto tempo esperávamos por algo assim.

A sensação era de estar no céu, mas a desconfiança ainda pairava... É difícil acreditar quando as coisas dão certo. Em corações acostumados a "berrar" (vocês já virão o significado dessa palavra lá em cima), é difícil entender quando acontece tudo certo, e quando tudo é bom.

O fato é que ela é filha de argentino, e descentendente de italianos. Daí ela se intitular "européia" (por um lado certa, e por outro, uma típica atitude argentina, que se consideram "a Europa na América" - e elas não estão errados). Brasil, Argentina e Itália: uma mistura que se mostrou capaz de formar uma menina incrível. Eu sempre fui apaixonado pela Itália, suas belas paisagens, sua culinária, sua cultura, suas mulheres; a Argentina sempre me pareceu muito bela, com paisagens como a de Bariloche, e a elegância de um povo com uma cultura enraizada na europa; o Brasil, com sua cultura rica e sua mistura que faz deste país um dos melhores do mundo. Agora, vejo à minha frente a possibilidade de me apaixonar pelo que o melhor da mistura entre os três criou: uma menina chamada Ana Carolina (hum esse nome soa familiar não?).


Tags: relacionamentos amor encontros

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1 - Ana Carolina Video Pedro Cernausan (31/01/2008)

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