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Do começo ao fim e do fim ao começoFelipe Lobo (28/01/2008) Domingo, Julho 03, 2005 No começo, eram apenas poucas palavras trocadas na internet. A conversa não fluia muito,era curta, superficiais. Tudo caminhava para para o fim. "Eu ia te deletar do meu msn", confessou ela um tempo depois. É, mas aí de repente as coisas mudam. Janeiro. Trabalhando de manhã. Conversas todos os dias. Quando vemos, já estamos rindo como amigos, conversando como amigos, nos gostávamos como amigos. Junte isso com uma crise passada após o fim de um relacionamento e vc terá uma atração que começava a nascer... Começou então uma mudança suave... Agora a atração era grande, a vontade de encontrar com ela também. O encontro estava próximo de acontecer, e as trocas de palavras doces começaram a ser freqüentes. Show do Paralamas e Rappa. Eu queria ver Paralamas. Ela, o Rappa. O encontro aconteceu lá dentro. A ansiedade foi grande, mas foi melhor do que se esperava. O show foi muito bom, o encontro muito bom. Mas ainda faltava algo. Algo que as mãos dadas e o abraço apertado não tinha conseguido suprir. O beijo só aconteceu já no final do encontro, pra coroar o que já tinha sido muito bom. A vontade de se ver continuava. Ela parecia cada dia mais linda, mais alegre, e principalmente, muito sorridente. Tudo isso fazia com que os encontros ficassem mais e mais desejados. Só podíamos nos ver nos fins de semana, mas aproveitamos bem os momentos juntos. As fotos juntos, os momentos alegres, os beijos, o carinho... Tudo parecia cada vez melhor! Os problemas já existiam. A solução parecia ser uma só. Se não fosse daquele jeito, não iríamos continuar. Ela não queria continuar se não fosse assim. Embora minha intenção sempre tivesse sido essa, ainda não sentia que era hora. Não tinha me apaixonado, e pra mim, era necessário estar apaixonado para mudar aquilo. Ainda assim, resolvi que iria investir, até pra escapar da cobrança que começava a acontecer - com alguma razão, diga-se de passagem. Além do mais, ela mexia comigo. Eu gostava dela. Pensava muito nela. Por que não tentar? "Committed". Sim, agora tudo mudaria. Para pior. A cobrança ficou maior. A paixão continuava a não existir, e o desejo de se ver, o carinho que existia já não era suficiente. Eu sabia que sem paixão, seria difícil. Mas também achei que a paixão surgiria com o tempo e, afinal, eu gostava tanto dela... Os dias se passavam, e o peso do relacionamento aumentava. Não aguentava mais a cobrança por coisas que eu não queria fazer. Mas ela tinha razão: eu tinha mudado. Mudado com ela. Eu não fazia mais tudo por ela. Meus nicks no msn não era mais pra ela. Meu fotolog não falava mais dela. Talvez eu tenha acostumado ela mal. Não viveria em função dela. Será que ela não entendia? A tristeza por não fazê-la feliz me deixava cada vez pior. Sentia que algo estava errado. A essa altura, eu já sabia o final da história. Mas lutava contra esse "destino". Buscava mudar, queria fazer dela uma menina feliz. Ela merecia isso. Mas as coisas já não encaixavam. A alegria dos primeiros dias já não existia mais. O desconforto com a situação me deixava sem conseguir dormir direito. Não sabia o que fazer, como agir. Não sabia se terminava por ali, ou se continuava tentando. Eu gostava muito dela, mas parece que me apaixonar estava cada vez mais difícil. Nem a alegria que ela tinha conseguia me animar. Algo ia acontecer. TINHA que acontecer. Era inevitável. Fomos conversar, ambos já sabendo o que dizer. Sabíamos o que ia acontecer. Ainda assim, senti uma das piores sensações da minha vida quando finalmente dissemos o que havia para ser dito. Eu tinha convicção do que era melhor para nós. Ela também. Ainda assim, meus olhos se encheram de lágrimas após o anúncio do fim. Talvez por não ter conseguido fazer daquele o relacionamento que eu e ela esperávamos. Talvez pela tristeza de encerrar um ciclo que tinha sido muito bom em muitos momentos, e que eu sentiria falta. Talvez simplesmente por sentir que poderia estar perdendo alguém importante na minha vida. Mas a certeza que o fim era a melhor decisão me impediu de voltar atrás. Tudo isso deixou aquele domingo triste, muito triste... Passadas as lágrimas, e chegado o novo dia, as coisas tendiam a melhorar. A triteza ainda existia, mas depois daquele dia, a convicção de aquele tinha sido a melhor decisão ficou ainda mais forte. Prefiri guardar comigo aqueles momentos tão bons que passamos juntos nesse mês que vivemos encantados um com o outro. Nesses passeios tão bons, naquele carinho que nunca faltava, e nos sorrisos que sempre nos deixavam felizes. Prefiri esquecer que houve a tristeza. A lembrança boa era muito melhor. Por que guardar as coisas ruins? O tempo fez o trabalho dele. Voltamos a nos falar como antes. Ficamos amigos como antes. Rimos como antes. Talvez hoje nossa amizade seja mais divertida que antes. Ela me confirmou, mais uma vez, uma tese que eu sempre tive: quem é ex tem tudo pra ser um bom amigo. Afinal, é uma pessoa que te conhece tão bem, que foi tão próximo a você, e conhece seus medos, angústias, alegrias, gostos, preferências: tudo que um amigo precisa pra te fazer bem. Isso, claro, salvo casos onde haja quebra de confiança, traição, mentira, ou tudo isso junto. Mas não é nosso caso. Parece que nos encontramos mesmo como amigos. Isso faz dela ainda uma pessoa muito importante pra mim. Não só pela lembrança boa que ela me traz, mas pelas coisas boas que ela ainda me proporciona hoje. Como namorados não demos certo mesmo. Mas como amigos, nos damos muito, muito bem. Que bom por isso! Tags: relacionamentos encontros Remixagens dessa narrativa
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