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Felipe Lobo (21/01/2008) Texto

Segunda-feira, Julho 18, 2005

There was a time
When I was so brokenhearted
Love wasn't much of a friend of mine
(Aerosmith - Cryin')

Mudanças na vida não são fáceis. Algumas vezes, é mais cômodo ficar como está. Mas há momentos que a mudança é necessária, quase inevitável. Foi o que aconteceu comigo. Mas não foi de uma hora pra outra. A mudança foi gradual, mas definitiva apenas a poucos dias.

A minha vida teve reviravoltas que eu mesmo, olhando para o passado, não acredito. Mas não me arrependo do que fiz. Bom ou ruim, serviram de experiência. Ruim mesmo é lamentar aquilo que eu não fiz. Isso sim é triste! Mas voltando às reviravoltas, eu olho para um passado não tão distante, e vejo que as coisas foram muito intensas. As mudanças foram inevitáveis, e eu nem percebi. Não, vc está com a impressão certa: eu to enrolando mesmo. Um pouco de medo, outro tanto de ansiedade. Mas juro que vou ser mais objetivo!

Sempre fui muito certinho. Minhas paixões já começaram "puras". Achava que amar era aquela coisa sublime, de se encantar pelo sorriso de alguém. Me declarava loucamente, como os poetas do século XV. Talvez até do século V. É, mas estávamos no século XX. E declarações de amor assustam as meninas. É, até meus 14 anos, a coisa foi assim. As coisas mudaram. Mas eu ainda era inocente demais. Acredita que ficar com alguém só era bom se há sentimento por esse alguém. Descobri que era uma ilusão nada doce. Bem amarga, por sinal.

Desacreditei do amor quando a minha melhor amiga, romântica convicta, que tinha o mesmo pensamento que eu - ao menos, eu acreditava niso - ficou com o cara que ela dizia que nunca ia ficar. O oposto de tudo que achávamos bom. Descobri duas coisas as mesmo tempo: primeiro, que eu era apaixonado por ela; segundo: as convicções que temos são desmontadas em um instante.

O ponto de virada foi quando quando conheci ela: Daniela (a rima não é por querer! rs). Uma mulher diferente do que eu tinha visto até então: não tinha máscaras, hipocresia e nenhum pudor. Era louca por sexo. Casada. Seis anos mais velha. Dois filhos, sendo que a primeira teve com 13 anos. O posto de tudo que eu era, e de tudo que eu idealizava em uma mulher - exceto pela beleza. Ela era desejo puro. Eu, um romântico idealista. Eu, virgem. Até conhecer ela, porque fui a grande obcessão dela. E ela conseguiu. Por uma noite apenas. Mas conseguiu.

Não tem como não mudar depois disso. O desejo, que era tão pouco presente na minha vida, tornou-´se muito, muito presente. Ela me mostrou o que é sexo sem sentimento. Conheci talvez o único pecado capital que ainda não conhecia: a luxúria. Morria o romântico idealista. Nascia o conquistador em busca de sedução. Me deixei levar por outro pecado capital: a soberba.

Nunca achei que fosse mesmo um conquistador. Nem tinha essa noção. Mas no fundo, eu queria ser. O romântico dentro de mim sobrevivia a dura penas. Sempre brigando comigo mesmo. Abandonado às noites solitárias, em que nada dava certo. Aliás, o romântico era chamado logo depois de o conquistador fazer das suas, e me fazer ficar arrependido. Isso independia do "sucesso" ou "fracasso". O arrependimento sempre vinha. Junto com as promessas românticas a mim mesmo de encontrar um amor, e não me deixar dominar pelo desejo.

As coisas mudaram sim. De novo. Mas resquícios ainda sobravam. Não era o romântico de antes, nem era amplamente dominado pelo desejo. Alternava entre um pouco dos dois. Uma combinação que ficava mais homogêna a cada dia. Nunca sabia quem eu era, se um ou se outro. Mas o romântico faza parte da minha essência.

Mas vem o amor. E diz que você quer amar, amar e amar. Coloca o desejo no pacote, mas em menor escala. Afinal, o amor engloba tudo. E vem a decepção, a certeza que não vale a pena se apaixonar. Até a próxima paixão.

O romantismo começou a voltar. Não, não por causa de nenhuma mulher. Justamente no período que tive mais tempo comigo mesmo, e não me deixava levar por qualquer coisa. "Exigente demais" para alguns. Tinham alguma razão. Mudei um pouco, por não querer ficar tão sozinho. Tsc, tsc, tsc. Alguém achou que conquistar mais e mais e mais mulheres me ajudou? Não. Não ajudava. Mas me fez acreditar em mim mesmo. Auto-confiança que eununca tive. Fez minha auto-estima ficar nas nuves. Eu precisava daquilo Precisava me apoiar nos elogios. Apenas e tão somente para satisfazer meu grande ego. Quanta besteira.

Tive que deixar chegar no ponto que nem eu aguentava mais. O romântico já me domina há algum tempo, mas as sombras que a "outra personalidade" fazia ainda me fazia mal às vezes. Tive que sentir o meu coração apertar por causa dos erros que cometi assim. Tive que me apaixonar, sentir o amor correr nas veias. E depois sofrer comigo mesmo por deixar que palavras saíssem da minha boca - e principalmente do meu teclado - buscando apenas aumentar meu ego.

Já totalmente consciente, vi que o melhor relacionamento que tive poderia ter sido ainda melhor. Tudo bem. A vida me da outra chance, com quem quer que seja. Mas tive que ver que a única vez que eu fui correspondido de verdade - e essa é a próxima história que vou contar aqui -, eu deixei passar sem viver com todo meu coração. Isso estando completamente e absolutamente apaixonado.


Tags: cotidiano música relacionamentos

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