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A referência muda de referênciaFelipe Lobo (21/02/2008) Quando a Internet surgiu comercialmente no Brasil, em 1994, pouca gente tinha acesso a essa mídia. Além disso, ela não trazia nada de muito novo: a maioria do seu conteúdo era apenas reprodução de um outro veículo, tal como uma enciclopédia ou um jornal – inclusive no design. Já no final dos anos 1990, a Internet já era consagrada. Muitos já usavam suas modernas conexões de 56k. E uma característica interessante dessa época era todo o material que era produzido para os usuários de computador e de Internet. Os jornais já tinham seu caderno de Informática, que trazia listas enormes com sites interessantes sobre um determinado assunto. Era possível, assim, montar catálogos de sites úteis. Os jornais não eram os únicos a aproveitar o filão. Eram muitas revistas sobre informática. Algumas delas duram até hoje, porque souberam se adaptar às mudanças de lá para cá. Naquela época, era muito comum encontrar revistas coloridíssimas, com “100 programas essenciais grátis”. Ou, quem sabe, “50 jogos grátis”. Tudo no velho e bom CD, que acompanhava a fina revista. Essas revistas eram verdadeiros “bookmarks”, ou catálogos de endereços úteis e repositório de programas livres para uso. Hoje, essas revistas quase desapareceram por completo. Os links podem ser guardados no browser – isso pelos mais antigos, porque hoje é possível guardar todos os favoritos categorizados e classificados semanticamente pelo delicious. Os programas que vinham nos CDs não são mais tão úteis: mudam tanto de versão e a banda larga está muito mais abragente. Não vale a pena distribuir um programa de 1,5 MB, que estará desatualizado em pouco tempo e que o usuário pode baixar em poucos minutos. Os blogs também nasceram assim. Logs da web, sites centralizadores de outros assuntos. Um usuário reunia, em um só lugar, dezenas, centenas de links. Tudo para facilitar a vida do internauta. O seu significado foi ficando cada dia diferente. Os blogs passaram a ter conteúdo, e não mais indexar conteúdo alheio – embora seja fato que muitos blogs ainda servem de caderno de endereços, pelo exagerado número de links que possuem. O papel dos blogs foi mudando, sua função continua sendo discutida até hoje. Sua importância, porém, não pode ser ignorada por ninguém. E os marqueteiros dos Estados Unidos perceberam isso nessa eleição no país com a maior economia do mundo. Os blogs de política passaram a ganhar uma força jamais vista, a ponto de fazerem parte da estratégia de marketing dos políticos. Não é só nos Estados Unidos que os blogs têm exercido um papel importante. No Irã, alguns políticos de oposição estão usando blogs para discutir idéias e assuntos sobre a política do país. Para eles, que vivem em um regime mais fechado e com um controle grande sobre a manifestação política, essa foi uma alternativa livre. A referência que os blogs se tornaram é de informação livre. Não há vínculo com grandes empresas, nem interesse aparente com qualquer grupo político. Assim, a Internet passa a ser reguladora dela mesma. Em um aspecto, os blogs parecem manterem a sua função original. Um blog que você goste provavelmente terá links que você provavelmente gostará. Assim, não deixam de ser referências de endereços, como no seu surgimento. Tags: blogs internet comunicação Remixagens dessa narrativa
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